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CURSOS PROFISSIONALIZANTES

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O DIA EM QUE MEU SACO CRESCEU

Aos meus onze anos, peguei caxumba. Junto dela, vários avisos de como eu deveria me portar, para que ela não descesse para o meu saco. Lembro-me, que fiquei com medo e tentei ficar parado o máximo de tempo possível. E mesmo assim, todos os dias, minha avó me lembrava do perigo de não ficar quieto. Era traumatizante, acreditem.

Peguei caxumba bem no começo das férias de janeiro e da janela do meu antigo quarto, eu conseguia ouvir a criançada brincando na rua. Como era duro segurar-me. Mas, pelo bem do meu saco eu me resguardava.

É estranho como o tempo passa devagar quando estamos doentes. Os dias passavam lentamente e nada da minha quarentena acabar. Eu já me sentia bem, juro. Se eu fosse médico já teria me dado alta. Mas, minha mãe, não queria que eu me arriscasse e sempre me lembrava do problema que eu poderia adquirir, caso não ficasse de repouso.

Um belo dia, eu não agüentei. Faltavam apenas uma semana e nem remédio eu tomava mais, já estava curado! Eu tinha toda a certeza disso. Esperei a minha mãe ir para o quintal de nossa casa e pronto. Lá estava eu, na rua, correndo livre novamente. E como era bom poder brincar de novo.

Brinquei, como há muito tempo não brincava. Mas, sem algum porque a imagem da minha avó veio a minha cabeça e com ela a sua frase marcante, “fique quieto, para a caxumba não descer para o saco!” Minha boca ficou seca e sem perceber, já estava com a mão no meu "documento".

O desespero tomou conta. Esqueci da brincadeira e fui correndo para o banheiro. Tranquei a porta, tirei a calça e olho no bicho. E não é que eu achei que meu saco havia crescido? Não pensei duas vezes e gritei a minha mãe:


_ MÃE! MEU SACO CRESCEU!

Comecei a chorar, e a cada olhada para baixo eu o via maior. Vou virar uma aberração, pensava o tempo todo. A minha avó veio novamente a minha cabeça, agora ela sorria dizendo:

_ É isso que dá não obedecer aos mais velhos, agora a caxumba desceu!

Peguei a fazer promessa, chorar já não fazia mais sentido. Todos os nomes santos que vinham a minha cabeça, eu prometia algo. Fiz promessa até para Adão e Eva.

Foi até que minha mãe bateu na porta. E agora? Como vou mostrar isso a ela? Voltei a chorar. Chorando ainda, abri a porta. Ela examinou e disse que estava normal, que não precisaria ter medo. Assim mesmo, eu não quis arriscar, fiz outra quarentena por conta própria.

Realmente minha mãe tinha razão, a caxumba não desceu.

E aquele susto todo, me mostrou uma coisa muito importante. Que até os bem dotados, tem seus probleminhas de vez em quando.

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